CONCLAVE, EIS COMO SE ELEGE O PAPA
DESDE O VOTO DOS CARDEAIS ELEITORES ATÉ A CONTAGEM DAS CÉDULAS QUE
SÃO QUEIMADAS EM UM FOGÃO DE FERRO FUNDIDO DE 1939, TODOS OS DETALHES DO QUE
ACONTECE NA CAPELA SISTINA
| Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2025-05/conclave-como-se-elege-o-papa-capela-sistina.html |
A distribuição das cédulas
Preparadas e
distribuídas as cédulas pelos cerimoniários (pelo menos duas ou três para cada
cardeal eleitor), o último cardeal diácono sorteia, entre todos os cardeais
eleitores, três escrutinadores, três encarregados de coletar os votos dos
enfermos (infirmarii) e três revisores. Se nesse sorteio forem sorteados os
nomes dos cardeais eleitores que, devido a enfermidade ou outro motivo, não
puderem desempenhar essas funções, os nomes de outros cardeais serão sorteados
em seu lugar. Essa é a fase de pré-escrutínio. Antes que os eleitores comecem a
escrever, o secretário do Colégio de cardeais, o mestre das Celebrações
Litúrgicas Pontifícias e os cerimoniários devem deixar a Capela Sistina, depois
o último cardeal diácono fecha a porta, abrindo-a e fechando-a quantas vezes
forem necessárias, como quando os infirmarii saem para coletar os
votos dos enfermos e retornam à Capela.
A votação
Cada cardeal
eleitor, em ordem de precedência, depois de ter escrito e dobrado a cédula,
segurando-a elevada de modo que fique visível, leva-a ao altar, onde ficam os
escrutinadores e sobre o qual é colocado um recipiente coberto com um prato
para recolher as cédulas”.
“Chamo como
minha testemunha Cristo Senhor, que me julgará, que meu voto é dado àquele que,
segundo Deus, considero que deva ser eleito”.
Essa é a
fórmula que cada cardeal dirá em voz alta. Em seguida, ele coloca a cédula no
prato e, com isso, a introduz no recipiente. Ao término, ele se curva diante do
altar e retorna ao seu assento. Os cardeais eleitores presentes na Capela
Sistina, que não podem ir ao altar por estarem enfermos, têm a ajuda do último
dos escrutinadores que se aproxima deles: depois de pronunciar o juramento,
eles entregam a cédula dobrada ao escrutinador, que a leva bem visivelmente ao
altar e, sem pronunciar o juramento, a coloca no prato e, com isso, a introduz
no recipiente.
Como votam os cardeais enfermos:
Se houver cardeais eleitores enfermos em seus quartos, os três infirmarii vão até lá com um número apropriado de cédulas em uma pequena bandeja e uma caixa entregue pelos escrutinadores e aberta publicamente por eles, para que os outros eleitores possam ver que está vazia, e depois fechada com uma chave colocada no altar. Essa caixa tem uma abertura na parte superior pela qual uma cédula dobrada pode ser inserida. Os enfermos votam da mesma forma que os outros cardeais e, em seguida, os infirmarii levam a caixa de volta à Capela Sistina, que é aberta pelos escrutinadores depois que os cardeais presentes depositam seu voto. Os escrutinadores contam as cédulas na caixa e, depois de verificar que seu número corresponde ao dos enfermos, colocam-nas uma a uma no prato e, com isso, introduzem todas juntas no receptáculo.
O escrutínio:
Após todos
os eleitores terem colocado suas cédulas na urna, o primeiro escrutinador
sacode a urna várias vezes para embaralhar as cédulas e, imediatamente depois,
o último escrutinador procede à contagem das cédulas, retirando-as visivelmente
uma a uma da urna e colocando-as em outro recipiente vazio. Se o número de
cédulas não corresponder ao número de eleitores, todas elas deverão ser
queimadas e uma segunda votação deverá ser realizada imediatamente. Se, ao
invés, corresponder ao número de eleitores, segue-se a contagem. Os três
escrutinadores sentam-se em uma mesa em frente ao altar: o primeiro pega uma
cédula, abre-a, observa o nome do eleito e a passa para o segundo, que, depois
de verificar o nome do eleitor, a passa para o terceiro, que a lê em voz alta -
para que todos os eleitores presentes possam marcar o voto em uma folha
reservada para isso - e anota o nome lido. Se, durante a apuração, os
escrutinadores encontrarem duas cédulas dobradas de modo que pareçam ter sido
preenchidas por um único eleitor, se elas tiverem o mesmo nome, serão contadas
como um único voto; se, ao invés, tiverem dois nomes diferentes, nenhum dos
votos será válido, mas em nenhum dos casos a votação será anulada. Quando a
contagem das cédulas termina, os escrutinadores somam os votos obtidos pelos
vários nomes e os anotam em uma folha de papel separada. O último dos
escrutinadores, na medida em que lê as cédulas, perfura-as com uma agulha no
ponto em que a palavra Eligo está localizada e as insere em uma
linha, para que possam ser preservadas com mais segurança. Quando a leitura dos
nomes é concluída, as pontas da linha são amarradas com um nó e as cédulas são
colocadas em um recipiente ou em um dos lados da mesa. A este ponto, os votos
são contados e, depois de conferidos, as cédulas são queimadas em um fogão de
ferro fundido usado pela primeira vez durante o Conclave de 1939. Um segundo
fogão, de 2005, conectado, é usado para os produtos químicos que devem dar a
cor preta no caso de não eleição e branca no caso de eleição.
O quorum necessário:
São
necessários pelo menos 2/3 (dois terços) dos votos para eleger o Romano
Pontífice. No caso específico do Conclave que começará na quarta-feira, 7 de
maio, serão necessários 89 votos para eleger o Papa, sendo que o número de
cardeais eleitores é 133.
Independentemente
de o Papa ser eleito ou não, os revisores devem verificar as cédulas e as
anotações feitas pelos escrutinadores, para garantir que eles tenham cumprido
sua tarefa com exatidão e fidelidade. Imediatamente após a revisão, antes que
os cardeais eleitores deixem a Capela Sistina, todas as cédulas são queimadas
pelos escrutinadores, com a ajuda do secretário do Colégio e dos cerimoniários,
chamados nesse meio tempo pelo último cardeal diácono. Se, ao invés, uma
segunda votação for realizada imediatamente, as cédulas da primeira votação
serão queimadas somente no final, juntamente com as da segunda votação.
Votações:
As votações
são feitas todos os dias, duas vezes pela manhã e duas vezes à tarde, e se os
cardeais eleitores tiverem dificuldade em chegar a um acordo sobre a pessoa a
ser eleita, após três dias sem resultado, as votações são suspensas por no
máximo um dia, para uma pausa de oração, discussão livre entre os eleitores e
uma breve exortação espiritual, feita pelo primeiro cardeal da ordem dos
diáconos. A votação é então retomada. Depois de sete escrutínios, se a eleição
não tiver ocorrido, há outra pausa para oração, conversação e exortação, feita
pelo cardeal primeiro da ordem dos presbíteros. Em seguida, outra série de sete
escrutínios é eventualmente realizada e, se a eleição não tiver ocorrido, há
outra pausa para oração, conversação e exortação, realizada pelo cardeal
primeiro da ordem dos bispos. Em seguida, a votação é retomada, com um máximo
de sete escrutínios. Se não houver eleição, um dia é reservado para oração,
reflexão e diálogo e, nas votações subsequentes, a escolha deve ser feita entre
os dois nomes que receberam o maior número de votos no escrutínio anterior.
Nesses escrutínios, também é necessária uma maioria qualificada de pelo menos
dois terços dos cardeais presentes e votantes, mas, nessas votações, os dois
cardeais para os quais se pede o voto não podem votar.
Por: Copyright© 2025 @Flávio Santos
Nenhum comentário:
Postar um comentário