DO CAOS AOS EXTREMOS: CRATERAS, ACIDENTES, MORTES E ABANDONO:
BR-364 ENTRE RIO BRANCO E CRUZEIRO DO SUL DESAFIA A POPULAÇÃO ACREANA
 |
| Foto Acervo Assecon ContilNet |
A situação
do Acre é marcada por desafios históricos de infraestrutura, mas poucos são tão
graves e simbólicos quanto o abandono da BR-364. Principal via de integração do
estado, a rodovia deveria representar desenvolvimento, mobilidade e acesso a
serviços essenciais. No entanto, o que se vê é um retrato persistente de
descaso, negligência e promessas não cumpridas das autoridades governamentais.
A BR-364 não
é apenas uma estrada; ela é o elo que conecta municípios acreanos, garante o
escoamento da produção agrícola, permite o transporte de pacientes para
tratamento médico na capital, Rio Branco, e sustenta a economia local
tarauacaense. Quando essa via se encontra esburacada, sem sinalização adequada,
com trechos praticamente intransitáveis durante o período de chuvas, toda a
população sofre as consequências.
Os
constantes acidentes registrados ao longo da rodovia são um reflexo direto da
precariedade da pista. Buracos profundos, ausência de acostamento em vários
trechos, falta de iluminação e sinalização deficiente cria um cenário propício
a colisões, capotamentos e perdas irreparáveis. Famílias são devastadas por
mortes que poderiam ser evitadas com manutenção preventiva e investimentos
responsáveis. Não se trata de fatalidade, mas de omissão.
É
inaceitável que, ano após ano, o problema se repita sem solução definitiva.
Operações emergenciais e paliativas são frequentemente anunciadas, mas
raramente resolvem a raiz do problema. O recapeamento superficial não resiste
ao inverno amazônico, e logo os buracos reaparecem, maiores e mais perigosos. A
população tem a sensação de estar presa a um ciclo interminável de promessas
políticas e ações insuficientes.
Além dos
acidentes, a precariedade da BR-364 encarece o transporte de mercadorias,
prejudica pequenos produtores, afasta investidores e compromete o abastecimento
de cidades do interior. Ambulâncias enfrentam atrasos, estudantes têm seu
deslocamento prejudicado e trabalhadores colocam suas vidas em risco
diariamente. A rodovia, que deveria ser instrumento de integração e progresso,
transforma-se em símbolo de atraso.
A
negligência na manutenção da BR-364 também revela uma falha na priorização de
políticas públicas. Enquanto recursos são direcionados a outras áreas com maior
visibilidade política, uma demanda essencial e urgente permanece sem a devida
atenção. Estradas não é luxo; são infraestrutura básica. Sem elas, não há
desenvolvimento sustentável, nem dignidade para quem depende do transporte
terrestre.
É
fundamental que o Governo do Acre trate a recuperação da BR-364 como prioridade
absoluta, com planejamento técnico adequado, fiscalização rigorosa das obras e
transparência na aplicação dos recursos. A população acreana não pode continuar
pagando com prejuízos financeiros e, pior, com vidas humanas, o preço da
ineficiência administrativa.
Criticar não
é apenas apontar falhas, mas exigir responsabilidade. A BR-364 precisa deixar
de ser lembrada pelas tragédias e passar a ser reconhecida como um verdadeiro
corredor de desenvolvimento. Isso só será possível quando houver compromisso
real, ações estruturais duradouras e respeito pela população que depende diariamente
dessa estrada para viver e sobreviver.
Por: Copyright© 2026 @Flávio Santos