segunda-feira, 7 de setembro de 2026

REFLEXÕES: "MEU 07 DE SETEMBRO"

"DIA 07 DE SETEMBRO, SEMPRE MARCOU MINHA VIDA, TRAZENDO LEMBRANÇAS PASSADAS DE MINHA HISTÓRIA, QUE NÃO ESQUEÇO!"

Foto: Acervo Pessoal/Arquivo Flávio Santos

Dia 7 de setembro é um dia perfeito para você refletir, ponderar, lutar, sonhar e reviver momentos da vida. E sabe por quê? Porque é o dia que você está vivendo agora. Este deve ser sempre o seu maior compromisso: sonhar, viver e aproveitar o dia mais importante da sua vida.

Lembro-me bem de como era o 7 de Setembro na escola. Tudo começava muito antes das festividades e dos desfiles, que sempre foram uma das coisas de que mais gostei, além de participar da fanfarra, é claro.

Passávamos meses fazendo ensaios no pátio da escola ou pelas ruas do bairro da Praia. Às vezes, seguíamos pelo centro da cidade. Para participar da fanfarra da escola, era preciso ser comportado, obediente e tirar boas notas.

Entrei meio que pela porta dos fundos, pois havia faltado um componente e fui chamado às pressas para substituí-lo. Nunca mais saí. Era uma mistura de emoção, prazer e até vergonha desfilar pelas ruas do bairro Senador Pompeu, a nossa querida Praia.

Passávamos a noite quase sem dormir às vésperas do desfile. Tínhamos que acordar cedo, tomar banho, vestir e calçar o fardamento branco — quase sempre emprestado de um amigo — e ir para a escola tomar o famoso “leite de burro” com bolacha Papaguara.

Eu adorava aquela espuma que ficava na panela, sempre preparada pelas mãos habilidosas de Dona Dagmar, Delzuite, Maria Bernaldo ou 'Fátima do Dino'. Era quase uma obrigação natural que, todos os anos, acontecessem os desfiles. Para cada aluno, participar daquele evento era uma honra.

Era uma correria quando estávamos na sala de aula e chegava o aviso:

— Todos em fila!

Corríamos felizes, apreensivos e, ao mesmo tempo, eufóricos. Antes de sair, ainda fazíamos uma última ensaiada para afinar as baterias e os demais instrumentos da banda. Tínhamos que deixar tudo limpinho, passando álcool para que os instrumentos brilhassem debaixo daquele sol escaldante.

A concentração dava a volta no quarteirão. Seguíamos para a Rua do Comércio, em frente aos Correios, onde aguardávamos a nossa vez de desfilar.

Era um orgulho participar da fanfarra escolar da Escola Rosaura Mourão da Rocha. Para mim, era muito mais do que isso. Hoje, fico pensando no quanto foi maravilhoso estudar naquela escola.

Tenho orgulho de lembrar que, ainda criança, trabalhei debaixo do sol quente, ajudando a quebrar concreto para a construção das paredes da escola onde, anos mais tarde, voltaria a estudar.

Não foi fácil. Estudei, passei de ano, formei-me em Pedagogia pela UnB, fiz três pós-graduações e, depois, voltei como professor para aquele mesmo ambiente educacional.

Ali, tive a oportunidade de ministrar palestras e cursos para professores. Alguns, que no passado faziam bullying comigo e me causavam vergonha, tristeza e desprazer, passaram a me ouvir em formações escolares.

Alguns diziam que eu jamais chegaria a algum lugar. Aquilo me fazia muito mal, mas nunca desisti.

E como fomos felizes!

Sabíamos que, sem a escola, talvez nada seríamos na vida. Tínhamos que honrar nossos pais. Eram eles que faziam de tudo para que nunca faltasse o material escolar necessário para estudarmos.

O “Mano Mezer” estava sempre com o apito na mão e dizia:

— Atenção! Ao meu apito!

Então começava a batida. Era alegria, diversão, emoção e entretenimento.

Em 1997, eu já havia concluído o Ensino Médio, mas fomos convidados para acompanhar a fanfarra do João Ribeiro. Depois, fomos convidados pelo então prefeito Esperidião Menezes Júnior para fazer uma apresentação no município de Jordão.

Saímos de Tarauacá e partimos, durante quatro dias, rumo àquele pequeno povoado recém-fundado. Fomos a primeira fanfarra a se apresentar naquele lugar.

“Tagaratatá!”

A batida dos instrumentos ecoava longe, às margens do Rio Jordão. Foi emocionante. Ganhamos medalhas e muitas lembranças que permanecem guardadas até hoje na memória.

Ainda hoje, lembro o quanto fomos felizes.

Na cidade de Tarauacá, não havia quem não esperasse ansiosamente pela chegada do dia 7 de Setembro. Todos queriam ver as belezas das fantasias das escolas que se apresentavam. As princesinhas e os príncipes passavam pela avenida, representando personagens e contando, através do desfile, histórias e contos infantis.

Não havia classificação oficial, mas a população sempre enaltecia a escola que, na sua opinião, havia se apresentado melhor.

Era uma alegria. Uma fantasia. Um detalhe. Um sorriso. Uma apresentação que ficava marcada na memória.

Ainda lembro do meu último desfile ao lado de grandes amigos: Vanilson Mezer, Edinho, Gricélio, Everaldo, Mano, Cosmos, Lenisvaldo, Neto Gaudêncio e tantos outros que fizeram parte daquela história.

Era diferente olhar para as pessoas enquanto desfilávamos. Elas estavam aglomeradas às margens das ruas, nas varandas das casas, nas sacadas da Prefeitura Municipal e do Teatro José Potyguara.

Quando terminávamos o desfile, a vontade era começar tudo novamente. Queríamos sentir outra vez aquela emoção e receber os aplausos da plateia presente.

Hoje, olhando para trás, percebo que aqueles desfiles não eram apenas apresentações escolares. Eram momentos de construção de sonhos, amizades e histórias.

O 7 de Setembro ficou marcado na minha vida como símbolo de uma infância simples, de superação, de aprendizado e de esperança.

A escola me ensinou muito mais do que conteúdos. Ensinou-me a acreditar, persistir e nunca desistir dos meus sonhos.

E talvez seja por isso que, todos os anos, quando chega o dia 7 de Setembro, não consigo apenas lembrar da Independência do Brasil.

Lembro da minha própria história.

Lembro da escola.

Lembro da fanfarra.

Lembro dos amigos.

Lembro dos aplausos.

E, principalmente, lembro do menino que um dia sonhou em chegar a algum lugar e que, apesar das dificuldades e das palavras que tentaram fazê-lo desistir, continuou caminhando.

Porque alguns sonhos começam no pátio de uma escola, ao som de uma fanfarra, e permanecem para sempre tocando dentro do coração.

 Por: Copyright© 2026 @Flávio Santos

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