COMPARTILHAMENTO DE DESGRAÇAS VIA REDES SOCIAIS
COMPARTILHE COISAS BOAS...

Um péssimo
e irresponsável hábito tem se tornado cada vez mais comum: a divulgação,
em correntes dentro das redes sociais, de desgraças, crueldades
e ditas “injustiças”, principalmente contra animais de estimação, tais
como gatos e cachorros, mas não se limitando a esses.
O que mais
irrita nesse hábito bem brasileiro e tupiniquim de empurrar a coisa
adiante é que, em 99% dos casos, a pessoa que divulga ou compartilha a
informação não tem sequer certeza se é verdade ou boato, tampouco sabe a data
do acontecimento, o que foi ou o que pode ser feito a respeito. É comum lermos
frases tais como “não é possível que o homem seja capaz de fazer isso”
ou “alguém sabe dizer se isso é verdade?“.
Entre as
desgraças, das quais não pretendo divulgar fotos, estão animais torturados,
agredidos ou mortos, cenas de crueldade (como touradas) ou matanças (golfinhos,
por exemplo), passando por supostas denúncias de maus tratos, por vezes
envolvendo estabelecimentos comerciais, o que torna ainda mais necessário
cuidar com a divulgação para evitar cometer injúria ou difamação.
Por que as
pessoas fazem isso?
Eu chamo
esse comportamento de “desabafo social“.
Boa parte
das pessoas, uma vez em choque ante uma situação que conflita com seus valores,
tende a compartilhar a desgraça numa expectativa de se sentir
melhor, lavar as mãos e seguir sua vida, como quem diz: “eu fiz a minha
parte, já divulguei para a minha rede“. Essa pessoa pensa: “alguém deve fazer
uma coisa a respeito, tomara que chegue até alguém importante” – obviamente,
não ela!
Não há nada
mais desagradável do que, em pleno descanso, ter seu alto astral
subitamente interrompido por uma notícia chocante, ou mesmo perder a
concentração no trabalho, deparando-se, no meio de suas atividades
profissionais, com cenas e notícias despropositadas.
Oras, coisas
ruins acontecem todos os dias. Se o objetivo é divulgar toda a crueldade
do mundo, podemos fazer isso durante 24h. Não precisamos ficar escolhendo
aquelas notícias que nos chocaram, vamos, de uma vez por todas, citar
todas as desgraças e injustiças atuais da humanidade. Que tal? Eu aposto que
vão faltar espaço e tempo nas nossas vidas para ler tudo.
Assim como
um pai não revela o mundo a seus filhos ainda pequenos, uma atitude sábia,
madura e responsável de uma grande pessoa é preservar seus amigos e
familiares de sentimentos negativos desnecessários. O sofrimento, a reflexão e
a compreensão dos problemas devem fazer parte de cada ser humano.
Porém,
ultimamente as pessoas parecem que não sabem sofrer sozinhas. Compartilhar
sentimentos superficiais via redes sociais é uma forma leviana de desabafo
compatível com o século XXI.
Que atitude
devemos tomar?
Partindo da
constatação de que as redes sociais podem servir como meios de mobilização
social, ficar indiferente aos problemas do mundo certamente não é o melhor
caminho para resolvê-los. Porém, divulgar notícias da forma que tem sido
feito, certamente também não é.
Os três
principais procedimentos, antes de divulgar uma notícia, deveriam ser:
Comprove a
autenticidade: o fato de um amigo estar divulgando a notícia não significa
nada, pois ele possivelmente também está passando adiante. E-mails e
telefones não servem como parâmetro e frequentemente são utilizados
para dar legitimidade a notícias falsas, já que ninguém se dá ao trabalho
de verificar se são verdadeiras. A comprovação de autenticidade se dá quando
você de fato checa a fonte e conhece sua origem. Pesquisar via Internet
também pode ser válido. Existem sites especializados em desmistificar lendas
urbanas.
Verifique a
data: algumas correntes nunca acabam. Os problemas podem ser antigos e
já terem sido resolvidos há anos. Quando as correntes circulavam por e-mail,
algumas, ainda que verdadeiras, nunca eram interrompidas e faziam
menções a casos encerrados anos atrás. Portanto, antes de passar adiante uma
notícia, é bom ter certeza de que ainda está em tempo para divulgá-la e tomar
alguma providência. Uma fonte fixa de atualizações como um blog
deveria acompanhar qualquer ação séria.
Há algo a
ser feito? Passar o fato adiante apenas para chocar os outros é
uma leviandade. O mais importante é saber se existe algo a ser feito
para melhorar a situação e isso deveria fazer parte da notícia.
Resumindo:
leio notícias chocantes todos os dias. Mas não preciso compartilhá-las para me
sentir melhor. Só passo adiante aquelas notícias as quais acredito que são
úteis ou podem ajudar a fazer a diferença. Qualquer afirmação que não
traga fonte sólida de referência é automaticamente descartada.
Faça você a
diferença:
Muito melhor
do que ficar passando correntes adiante é fazer a diferença. O nosso mundo
precisa de pessoas engajadas.
Se você quer
fazer parte, uma boa opção pode ser reservar tempo para ajudar causas
sociais ou entidades que combatam aquilo que você considera mais
importante em determinado momento da sua vida.
Investigar
os problemas a fundo, criar um blog, levantar doações, entrar em contato,
ajudar com dinheiro ou mesmo com sua participação. Melhor do que dinheiro
é colocar a mão na massa e ajudar com seu trabalho.
Então, a
próxima vez em que você se sentir realmente incomodado com algo,
preste um favor a si mesmo e ao próximo: faça a diferença. De verdade. FONTE:
Por:
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