segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

POLÍTICA É...

A POLÍTICA NOS DIAS DE HOJE


O ser humano é um ser social, pois ninguém é auto-suficiente. Dependemos da participação de outros para nossa sobrevivência, seja nas relações de produção, de comercialização, na construção de nosso ambiente, etc. Assim sendo, o homem precisa viver em sociedade e para isso tornam-se necessárias regras comuns para manter a organização e conciliar os diversos interesses. Por isso, o homem é também um ser político.

Ser político, no meu entender, é interagir com a realidade cientificando-se das necessidades sociais e dos conflitos gerados pela diversidade de interesses e, a partir daí, colaborar na busca de soluções para os problemas existentes e caminhos conciliatórios para o convívio com as diferenças sempre em prol do bem comum.

Infelizmente, hoje em dia, o termo “política” tomou o mesquinho sentido dos conchavos, do troca-troca visando interesses pessoais. Deixou seu objetivo original de utilizar o poder para conciliar os interesses em prol do bem comum e passou a buscar o poder pelo poder. Virou uma carreira cujo objetivo é ocupar cargos de relevo através dos quais poderá ter ganhos pessoais, profissionais, status, ou seja, o meio político transformou-se em ferramenta para satisfação de interesses particulares. Houve um total desvirtuamento do verdadeiro significado de “política”. 

Nos jornais todos os dias são notícias de escândalos, manipulação, jogos de poder. Em nossas cidades vemos muitas vezes um mandato inteiro dedicar-se ao diz-que-diz, aos conchavos, com conseqüente paralisia de investimentos públicos, obras que não saem do papel, e por aí vai. E, chegando ao fim do período de quatro anos, portanto ao aproximarem-se as eleições, começam a realizar, a toque de caixa, um pouco do que deveriam ter realizado durante todo o período e investem mais ainda no assistencialismo barato, que, neste total desvirtuamento, tornou-se verdadeira moeda de troca. Os candidatos se esquecem do debate de ideias, focando em fatos pessoais dos adversários que possam desaboná-los perante a opinião pública, batem por bater ao invés de centrarem nas realizações e nas propostas.

Direi que, hoje, a relação política prostituiu-se. Um dos sentidos da palavra “prostituir”, no Dicionário Houaiss, é: conspurcar (princípios e ideais nobres e elevados), em troca de interesses puramente materiais; degradar(-se), corromper(-se). Infelizmente é assim que tem funcionado: o político se deixa usar, em troca de votos, pelos eleitores ávidos por favorecimentos pessoais, e, este mesmo eleitor usa o político, pois já tem consigo formada a ideia de que é para isso mesmo que ele serve. O político aceita essa posição por ser favorável à sua manutenção no poder. Forma-se um círculo vicioso que não deixa de ser degradante para ambos. E assim, de troca em troca, o interesse coletivo vai sendo deixado para trás, esquecido, os problemas vão se eternizando para, nas próximas eleições, novamente servirem de argumento para o tão já viciado jogo político.

Não é fácil mudar uma cultura tão arraigada. Mas, ainda assim, é imperioso que haja um trabalho de conscientização para que a política se re-dignifique através da retomada de seu sentido original e verdadeiro, do seu papel conciliador dos interesses em prol do bem comum. Pelo menos é importante que haja voz alertando sobre o sentido real de algo tão crucial para a relação em sociedade. É a única forma de evoluírmos e saírmos do círculo vicioso de atraso, pobreza e exploração de uns pelos outros. 

Por: Luciana G. Rugani

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