sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

BR 364: CAOS, ABANDONO E MORTES:

 DO CAOS AOS EXTREMOS: CRATERAS, ACIDENTES, MORTES E ABANDONO: BR-364 ENTRE RIO BRANCO E CRUZEIRO DO SUL DESAFIA A POPULAÇÃO ACREANA

Foto Acervo Assecon ContilNet

A situação do Acre é marcada por desafios históricos de infraestrutura, mas poucos são tão graves e simbólicos quanto o abandono da BR-364. Principal via de integração do estado, a rodovia deveria representar desenvolvimento, mobilidade e acesso a serviços essenciais. No entanto, o que se vê é um retrato persistente de descaso, negligência e promessas não cumpridas das autoridades governamentais.

A BR-364 não é apenas uma estrada; ela é o elo que conecta municípios acreanos, garante o escoamento da produção agrícola, permite o transporte de pacientes para tratamento médico na capital, Rio Branco, e sustenta a economia local tarauacaense. Quando essa via se encontra esburacada, sem sinalização adequada, com trechos praticamente intransitáveis durante o período de chuvas, toda a população sofre as consequências.

Os constantes acidentes registrados ao longo da rodovia são um reflexo direto da precariedade da pista. Buracos profundos, ausência de acostamento em vários trechos, falta de iluminação e sinalização deficiente cria um cenário propício a colisões, capotamentos e perdas irreparáveis. Famílias são devastadas por mortes que poderiam ser evitadas com manutenção preventiva e investimentos responsáveis. Não se trata de fatalidade, mas de omissão.

É inaceitável que, ano após ano, o problema se repita sem solução definitiva. Operações emergenciais e paliativas são frequentemente anunciadas, mas raramente resolvem a raiz do problema. O recapeamento superficial não resiste ao inverno amazônico, e logo os buracos reaparecem, maiores e mais perigosos. A população tem a sensação de estar presa a um ciclo interminável de promessas políticas e ações insuficientes.

Além dos acidentes, a precariedade da BR-364 encarece o transporte de mercadorias, prejudica pequenos produtores, afasta investidores e compromete o abastecimento de cidades do interior. Ambulâncias enfrentam atrasos, estudantes têm seu deslocamento prejudicado e trabalhadores colocam suas vidas em risco diariamente. A rodovia, que deveria ser instrumento de integração e progresso, transforma-se em símbolo de atraso.

A negligência na manutenção da BR-364 também revela uma falha na priorização de políticas públicas. Enquanto recursos são direcionados a outras áreas com maior visibilidade política, uma demanda essencial e urgente permanece sem a devida atenção. Estradas não é luxo; são infraestrutura básica. Sem elas, não há desenvolvimento sustentável, nem dignidade para quem depende do transporte terrestre.

É fundamental que o Governo do Acre trate a recuperação da BR-364 como prioridade absoluta, com planejamento técnico adequado, fiscalização rigorosa das obras e transparência na aplicação dos recursos. A população acreana não pode continuar pagando com prejuízos financeiros e, pior, com vidas humanas, o preço da ineficiência administrativa.

Criticar não é apenas apontar falhas, mas exigir responsabilidade. A BR-364 precisa deixar de ser lembrada pelas tragédias e passar a ser reconhecida como um verdadeiro corredor de desenvolvimento. Isso só será possível quando houver compromisso real, ações estruturais duradouras e respeito pela população que depende diariamente dessa estrada para viver e sobreviver.

Por: Copyright© 2026 @Flávio Santos

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